segunda-feira, 13 de junho de 2016

Papa institui a festa de Maria Madalena

Por vontade do Papa Francisco, a Congregação para o Culto elevou a memória de Santa Maria Madalena, com um decreto assinado pelo cardeal Robert Sarah, ao grau de festa. O documento tem a data de 03 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus. O secretário do dicastério, o arcebispo Arthur Roche que também assinou o decreto, explica que esta decisão “inscreve-se no atual contexto eclesial, que pede uma reflexão maior e mais profunda sobre a dignidade da mulher, a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina”.
João Paulo II, recordou Roche, foi quem dedicou “uma grande atenção não apenas à importância das mulheres na própria missão de Cristo e da Igreja, mas também, e com uma insistência especial, à peculiar função de Maria Madalenacomo primeira testemunha que viu o Ressuscitado e primeira mensageira que anunciou aos apóstolos a ressurreição do Senhor. Esta importância prossegue hoje na Igreja (uma manifestação disso é o atual compromisso de uma nova evangelização), que quer acolher sem nenhuma distinção homens e mulheres de qualquer raça, povo, língua ou nação para anunciar sua boa nova do Evangelho”. Santa Maria Madalena é representada como um exemplo de “verdadeira e autêntica evangelização”, que anuncia “a alegre mensagem central da Páscoa”.
O Papa tomou esta decisão durante o Jubileu da Misericórdia, explicou mons. Roche, para ressaltar “a relevância desta mulher que demonstrou um grande amor a Cristo e que foi tão amada por Cristo”. Maria Madalena fazia parte do grupo dos discípulos de Jesus, seguiu-o até a Cruz e, no jardim em que se encontrava o sepulcro, foi a primeira testemunha da ressurreição, “testis divinae misericordiae”, como a definiu Gregório Magno. O Evangelho de João descreve-a chorando, porque não havia encontrado o corpo do Senhor no sepulcro: “Jesus – recordou mons. Roche – teve misericórdia dela ao deixar-se reconhecer como Mestre e ao transformar suas lágrimas em alegria pascoal”.
“Cristo – prosseguiu o arcebispo – tem uma espécie de consideração e misericórdia por esta mulher, que manifesta seu amor para com Ele procurando-o no jardim com angústia e sofrimento”, com essas que Santo Anselmo definiu como “lágrimas da humildade”. Santo Tomás disse que era “apóstola dos apóstolos”, porque foi ela quem anunciou aos discípulos atemorizados e trancados no cenáculo o que eles, por sua vez, tinham que anunciar por todo o mundo.
“Por isso, é justo – concluiu Roche – que a celebração litúrgica desta mulher tenha o mesmo grau de festa outorgado às celebrações dos apóstolos no Calendário Romano Geral e que ressalte a especial missão desta mulher, que é um exemplo e modelo para todas as mulheres na Igreja”.
A tradição – escreveu o cardeal Gianfranco Ravasi – “repetida mil vezes na história da arte e que perdura até os nossos dias, fez de Maria uma prostituta. Isto aconteceu somente porque na página evangélica precedente (o capítulo 7 de Lucas) é narrada a história da conversão de uma anônima ‘pecadora conhecida naquela cidade’, aquela que havia untado os pés de Jesus com óleo perfumado, hóspede em uma casa de um conhecido fariseu, molhou-os com suas lágrimas e secou-os com seus cabelos. E assim se havia identificado, sem nenhuma relação textual real, Maria Madalena com aquela prostituta sem nome. Pois bem, este mesmo gesto de veneração será repetido com Jesus por outra Maria, a irmã de Marta e Lázaro, em outra ocasião (Jo 12, 1-8). E assim consumou-se mais um equívoco em relação a Maria de Mágdala: algumas tradições populares identificam-na com esta Maria de Betânia, depois de ter sido confundida com a prostituta da Galileia”.
(Vatican Insider)
(IHU)

terça-feira, 17 de maio de 2016

25 segredos da luta espiritual (que Jesus revelou a Santa Faustina)


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Em Cracóvia, no dia 2 de junho de 1938, o Senhor Jesus ditou a uma jovem Irmã da Misericórdia um retiro de três dias. Faustina Kowalska registrou minuciosamente as instruções de Cristo em seu diário, que é um manual de mística na oração e na misericórdia divina.

Este diário guarda as revelações de Cristo sobre o tema da luta espiritual, sobre como proteger-se dos ataques do demônio. Estas instruções se tornaram a arma de Faustina na luta contra o maligno inimigo.

Jesus começou dizendo: "Minha filha, quero instruir-te sobre a luta espiritual". E estes foram seus conselhos:

1. Nunca confies em ti, mas entrega-te inteiramente à Minha Vontade.

A confiança é uma arma espiritual. Ela é parte do escudo da fé que São Paulo menciona na Carta aos Efésios (6, 10-17): a armadura do cristão. O abandono à vontade de Deus é um ato de confiança; a fé em ação dissipa os maus espíritos.

2. Na desolação, nas trevas e diversas dúvidas, recorre a Mim e ao teu diretor espiritual; ele te responderá sempre em Meu Nome.

Em tempos de guerra espiritual, reze imediatamente a Jesus. Invoque seu Santo Nome, que é muito temido pelo inimigo. Leve as trevas à luz contando tudo ao seu diretor espiritual ou confessor, e siga suas instruções.

3. Não comeces a discutir com nenhuma tentação; encerra-te logo no Meu Coração.

No Jardim do Éden, Eva negociou com o diabo e perdeu. Precisamos recorrer ao refúgio do Sagrado Coração. Correr até Jesus é a melhor maneira de dar as costas ao demônio.

4. Na primeira oportunidade, conta-a ao confessor.

Uma boa confissão, um bom confessor e um bom penitente são a receita perfeita para a vitória sobre a tentação e a opressão demoníaca. Isso não falha!

5. Coloca o amor-próprio em último lugar, para que não contagie as tuas ações.

O amor próprio é natural, mas precisa ser ordenado, livre de orgulho. A humildade vence o diabo, que é o orgulho perfeito. Satanás nos tenta no amor próprio desordenado, que nos leva à piscina do orgulho.

6. Com grande paciência, suporta-te a ti mesma.

A paciência é uma grande arma secreta que nos ajuda a manter a paz da nossa alma, inclusive nas grandes tempestades da vida. A paciência consigo mesmo é parte da humildade e da confiança. O diabo nos tenta à impaciência, a voltar-nos contra nós mesmos, de maneira que fiquemos com raiva. Olhe para você mesmo com os olhos de Deus. Ele é infinitamente paciente.

7. Não descuides as mortificações interiores.

A Escritura nos ensina que alguns demônios só podem ser expulsos com oração e jejum. As mortificações interiores são armas de guerra. Podem ser pequenos sacrifícios oferecidos com grande amor. O poder do sacrifício por amor desaloja o inimigo.

8. Justifica sempre em ti, o juízo das Superiores e do Confessor.

Cristo falava a Santa Faustina, que morava em um convento. Mas todos nós temos pessoas com autoridade sobre nós. O diabo tem como objetivo dividir e conquistar; então, a obediência humilde à autoridade autêntica é uma arma espiritual.

9. Foge dos que murmuram, como se da peste.

A língua é uma poderosa embarcação que pode causar muito dano. Estar murmurando ou fazendo fofoca nunca é de Deus. O diabo é um mentiroso que gera acusações falsas e fofocas que podem matar a reputação de uma pessoa. Rejeite as murmurações.

10. Deixa que todos procedam como lhes aprouver; age tu antes como estou a exigir-te.

A mente da pessoa é a chave na guerra espiritual. O diabo é um intrometido que tenta arrastar todo mundo. Procure agradar Deus e deixe de lado as opiniões dos outros.

11. Observa a Regra o mais fielmente possível.

Jesus se refere à Regra de uma ordem religiosa aqui. Mas todos nós já fizemos algum tipo de voto ou promessa diante de Deus e da Igreja e precisamos ser fiéis a isso: promessas batismais, votos matrimoniais etc. Satanás nos tenta para nos levar à infidelidade, à anarquia e à desobediência. A fidelidade é uma arma para a vitória

Deus age transformando

De fato, o homem  põe  e Deus dispõe. Planejei celebrar todas as missas em preparação  para Pentecostes  e aconteceu que  precisei fazer uma consulta de emergência  ficando  imediatamente internado no hospital com cirurgia marcada para o dia seguinte.
Tive que procurar algum colega que pudesse celebrar por mim, pois a cirurgia de cálculo renal  não podia ser fazer esperar. Me desesperar não adiantava muito, então, procurei aceitar a vontade de Deus que se apresentava. Não pensava em  ficar internado pois pensava que seria uma  consulta de rotina.
Até  estava despreparado pois não havia levado roupas  etc. Enfim, como reagir  quando as coisas  fogem do  nosso  controle?
Jesus eu confio em Vós.  Foi a minha  reação. Comecei  a louvar a Deus pois eu poderia até  me render à  reclamação, mas, não  saía da minha  mente aquela música que diz que é no louvor que Deus age transformando em curando com sua presença. Graças a Deus a cirurgia foi um sucesso e pude ver que de fato são Paulo está certo quando diz que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

PAPA Papa na Audiência Jubilar: “piedade”, manifestação da misericórdia de Deus

Santo Padre encontrou-se, na manhã deste sábado (14/5), na Praça São Pedro, com milhares de fiéis e peregrinos, provenientes de diversas partes do mundo, para a audiência jubilar, que concede no âmbito deste Ano Santo da Misericórdia.
Antes de começar a sua catequese, o Papa avisou os presentes que, devido ao mau tempo em Roma, a audiência jubilar ficou dividida em duas partes: a primeira, na Sala Paulo VI, aos enfermos, e a segunda na Praça São Pedro.
A seguir, passou a fazer sua catequese, durante a qual meditou sobre um dos tantos aspectos da misericórdia:  ter piedade ou pena dos que precisam de amor. A piedade é um termo que já existia no mundo greco-romano, onde, porém, significava ato de submissão aos superiores: antes de tudo, a devoção devida aos deuses; depois, o respeito dos filhos para com os pais, sobretudo se idosos. Neste sentido, Francisco atualizou o significado de piedade:
“Hoje, aos invés, devemos prestar atenção para não identificar a piedade com aquele pietismo, bastante difundido, que representa só uma emoção superficial, que ofende a dignidade do outro. Ao mesmo tempo, a piedade não deve ser confundida tampouco com a compaixão que temos para com os animais que vivem conosco; pois, de fato, acontece que, às vezes, temos este sentimento para com os animais, mas permanecemos indiferentes diante dos sofrimentos dos irmãos”.
Aqui, falando espontaneamente, Francisco disse: “Quantas vezes vemos tantas pessoas apegadas aos gatos, cachorros e, depois, se esquecem de ajudar os mais necessitados que lhes estão próximos”.
A seguir, o Pontífice continuou sua catequese explicando o termo “piedade” que é uma manifestação da misericórdia de Deus; é um dos sete dons do Espírito Santo, que o Senhor oferece aos seus discípulos para torná-los “dóceis a obedecer às inspirações divinas”.
Muitas vezes, nos Evangelhos, fala-se do grito espontâneo que pessoas endemoninhadas, pobres ou aflitas dirigiam a Jesus: “Tende piedade”. E o Papa explicou:
“A todos, Jesus respondia com um olhar de misericórdia e com o conforto da sua presença. Em tais invocações de ajuda ou pedido de piedade, cada um expressava também a sua fé em Jesus, chamando-o “Mestre”, “Filho de Davi” e “Senhor”. Eles intuíam que nele havia algo de extraordinário, que os podia ajudar a sair da sua condição de tristeza em que se encontravam. Percebiam nele o amor do próprio Deus”.
Mas, apesar da aglomeração da multidão, continuou o Pontífice, Jesus percebia aquelas invocações de piedade e se comovia, sobretudo quando via pessoas que sofriam, feridas na sua dignidade, como no caso da hemorroíssa. Ele as convidava a ter confiança nele e na sua Palavra. Com efeito, para Jesus, ter piedade equivale a compartilhar da tristeza de quem encontra, mas, ao mesmo tempo, agir, em primeira pessoa, para transformá-la em alegria. Assim, o Papa fez sua exortação final:
“Nós também somos chamados a cultivar em nós atitudes de piedade diante de tantas situações da vida, repelindo a indiferença que impede reconhecer as exigências dos irmãos que nos circundam e livrando-nos da escravidão do bem-estar material.
Francisco concluiu sua catequese jubilar convidando os fiéis a reconhecer o exemplo da Virgem Maria, que toma cuidado de cada um dos seus filhos; para nós cristãos, ela é o ícone da piedade.
Por fim, o Santo Padre citou o grande escritor italiano, Dante Alighieri, que assim se expressou na oração a Nossa Senhora, que se encontra no ápice do seu poema Paraíso: “Em ti, misericórdia; em ti, piedade…; em ti se reúne tudo o que há de bom na criatura”.
Ao término da catequese jubilar, o Papa passou a saudar os numerosos peregrinos e fiéis, em algumas línguas. Em italiano fez uma saudação especial às Irmãs da Imaculada Conceição, por ocasião do seu Capítulo Geral, e à Comunidade do Pontifício Colégio Ucraniano São Josafat. A eles e aos demais presentes, Francisco assim se expressou:
“Desejo que o Jubileu da Misericórdia, com a passagem pela Porta Santa, seja uma ocasião para manifestar aos irmãos a mesma piedade de Deus Pai, que sempre nos consola nas dificuldades”.
Enfim, o Santo Padre recordou aos presentes que, hoje, a liturgia celebra a festa de São Matias, o último que entrou a fazer parte do grupo dos Doze Apóstolos. E o Papa exortou:
“Que o seu vigor espiritual estimule os jovens a serem coerentes com a sua fé; que a sua entrega a Cristo Ressuscitado sustente os enfermos, nos momentos de maior dificuldade; que a sua dedicação missionária seja demonstração de que o amor é o fundamento insubstituível da família”.
Antes de conceder a sua Bênção Apostólica, o Papa Francisco saudou os presentes de língua portuguesa. Eis a sua saudação:
“Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, especialmente aos fiéis da Missão Católica Portuguesa de Friburgo na Suíça e ao grupo brasileiro do Santuário Jardim da Imaculada da Cidade Ocidental. Este mês de Maria convida-nos a multiplicar diariamente os atos de devoção e imitação da Mãe de Deus. Rezem o terço todos os dias! Deixem que a Virgem Mãe entre no seu coração; confiem-lhe tudo o que vocês são e têm! Deus será tudo em todos! Que Deus abençoe vocês e seus entes queridos!”.

PAPA Papa em Pentecostes: filiação divina é nossa vocação, nosso DNA

Nós não somos mais órfãos, somos filhos, este é o nosso “DNA”. E como filhos, pertencemos a uma “única paternidade e fraternidade”. Na Solenidade de Pentecostes o Papa Francisco presidiu a Missa na Basílica de São Pedro, onde refletiu sobre nossa filiação divina e pertença a Cristo com a vinda do Espírito Santo e tudo o que isto comporta.
Jesus havia prometido que não nos deixaria órfãos. E precisamente a sua missão, “que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos”. De fato,  “a paternidade de Deus reativa-se em nós graças à obra redentora de Cristo e ao dom do Espírito Santo”. O Espírito que nos torna “filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai!”.
O Papa explica que “toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos” e observa, que no nosso tempo, é possível constatar “vários sinais desta nossa condição de órfãos”:
“A solidão interior que sentimos mesmo no meio da multidão e que, às vezes, pode tornar-se tristeza existencial; a nossa suposta autonomia de Deus, que aparece acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade; o analfabetismo espiritual generalizado que nos deixa incapazes de rezar; a dificuldade em sentir como verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e desabrocha para além da morte; a dificuldade de reconhecer o outro como irmão, porque filho do mesmo Pai; e outros sinais semelhantes”.
A todos estes sinais de orfandade – afirma o Pontífice – “se contrapõe a condição de filhos, que é a nossa vocação primordial, é aquilo para que fomos feitos, o nosso «DNA» mais profundo mas que se arruinou e, para ser restaurado, exigiu o sacrifício do Filho Unigênito”:
“Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na cruz, brotou para toda a humanidade, como uma cascata enorme de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem mergulha com fé neste mistério de regeneração, renasce para a plenitude da vida filial. «Não vos deixarei órfãos»”.
Estas palavras de Jesus – prosseguiu o Papa – remetem-nos à presença materna de Maria no Cenáculo:
“A Mãe de Jesus está no meio da comunidade dos discípulos reunida em oração: é memória vivente do Filho e viva invocação do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz”.
Citando a Carta de Paulo aos Romanos, Francisco recorda que “o Espírito faz com que pertençamos a Cristo”, e “consolidando a nossa relação de pertença ao Senhor Jesus, o Espírito faz-nos entrar numa nova dinâmica de fraternidade:
“Através do Irmão universal que é Jesus, podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemos olhar-nos como irmãos, e as nossas diferenças fazem apenas com que se multipliquem a alegria e a maravilha de pertencermos a esta única paternidade e fraternidade”.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Papa Francisco: Deus constrói sobre a fraqueza e o fracasso humano



Deus constrói sobre a fraqueza, e lendo as páginas da história entre Deus e o seu povo – afirmou o Papa Francisco – “parece ser uma história de falências”. Assim como a parábola dos vinhateiros homicidas parece ser o “fracasso do sonho de Deus”. Há um patrão que constrói uma bela vinha e os operários que matam todo servo enviado por ele. Mas é justamente daquelas mortes que tudo ganha vida.

“Os profetas, os homens de Deus que falaram ao povo, que não foram ouvidos, que foram descartados, serão a sua glória. O Filho, o último enviado, que foi completamente descartado, julgado, não ouvido e morto, se tornou a pedra angular. Esta história, que começa com um sonho de amor e que parece ser uma história de amor, acaba depois numa história de falências, acaba com o grande amor de Deus, que do descarte nos dá a salvação; do seu Filho descartado, Ele nos salva a todos”.

É aqui que a lógica da falência “se inverte”, afirma o Papa. Jesus lembra isso aos chefes do povo, citando a Escritura: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Isto vem do Senhor, e é maravilha aos nossos olhos”. “É bonito ler a Bíblia”, prossegue Francisco, ler também os “lamentos de Deus”, do Pai que “chora” quando o povo “não sabe obedecer a Deus, porque quer se tornar deus”.

“O caminho de nossa redenção é um caminho de muitos fracassos. Até mesmo o da cruz é um escândalo, mas é ali que vence o amor. Aquela história que começa com um sonho de amor e continua com uma história de falências, termina na vitória do amor: a cruz de Jesus. Não devemos nos esquecer desse caminho, é um caminho difícil. Também o nosso! Se cada um de nós fizer um exame de consciência, verá quantas vezes, quantas vezes expulsou os profetas. Quantas vezes disse a Jesus: Vai embora, quantas vezes quis salvar si mesmo, quantas vezes pensamos que éramos justos.”

“Portanto, não nos esqueçamos nunca”, concluiu Francisco, que é na morte na Cruz do Filho de Deus que se manifesta “o amor de Deus ao seu povo”. “Nos fará bem recordar, lembrar essa história de amor que parece ser um fracasso, mas no final vence. É a história a ser lembrada na história de nossa vida, daquela semente de amor que Deus semeou em nós e fazer o mesmo que Jesus fez por nós: se humilhou”.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Mendigo evangelizador é enterrado como príncipe no Vaticano

A Santa Sé confirmou a notícia do sepultamento no Campo Santo Teutônico – dentro do Vaticano – de um sem-teto falecido em 12 de dezembro. Willy, como era conhecido, era proveniente da região dos Flandres, tinha presumíveis 80 anos e vagava pelas cercanias do Vaticano.

Willy morreu no Hospital Santo Espírito, para onde foi levado de ambulância em uma noite do mês de dezembro. O frio havia lhe causado um mal-estar. Vindo a falecer em 12 de dezembro, seu corpo permaneceu no necrotério do Hospital, pois ninguém o indentificava. No entanto, o seu desaparecimento repentino dos locais onde ele frequentava fez com que as buscas de seu paradeiro começassem, sendo então reconhecido no hospital.

O Padre Bruno Silvestrini, Pároco da Igreja Santa Ana, a paróquia do Papa no Vaticano, quis homenagear Willy no último Natal, colocando, entre os pastores, um sem-teto. Ele frequentava diariamente a Missa matutina celebrada na Paróquia, ocupando sempre o mesmo lugar. 

“Por mais de 25 anos frequentou diariamente a Missa das 7 da manhã”, recordou o sacerdote, ao explicar em uma entrevista à Rádio Vaticano em 21 de dezembro, o motivo de ter colocado um sem-teto entre os pastores: “Era uma pessoa muito, muito aberta, que fez muitas amizades; falava com os jovens, falava do Senhor, falava a eles do Papa, convidava à celebração eucarística. Era uma pessoa rica, grande de fé. Alguns monsenhores levavam comida para ele em alguns dias. Depois, não foi mais visto e logo soube de sua morte. Nunca vi tanta gente bater à minha porta para saber quando seriam os funerais... Não pedia nunca, mas era aquele que te falava e te suscitava, por meio de perguntas sobre a fé, um caminho espiritual”.

As Exéquias foram celebradas na Capela do Campo Santo Teutônico e em seguida Willy foi sepultado no antigo cemitérico germânico na Cidade do Vaticano.